O Desafio do Passado

É possível construir um futuro, sem olhar para o passado? O quanto somos realmente ligados, àquilo que passou?

A vida passa depressa, e por mais clichê que isso pareça, quando nos damos conta de quem somos, inevitavelmente nos questionamos como chegamos até aqui.
Seríamos as mesmas pessoas sem as experiências ruins? Estaríamos imunes às armadilhas da vida, se não tivéssemos sido apanhados nas mesmas? O quanto podemos julgar o comportamento alheio, sem olhar para o nosso próprio infortúnio?
São questionamentos dolorosos, que muitas vezes nos impedem de seguir em frente. Mas o quanto podemos ignorá-los? Quem agradece à decepção? Quem fica em dívida com a tragédia? Quem não se pergunta, entre lamúrias, o por quê?
Desde crianças, somos esponjas absorvendo o comportamento alheio. O tempo todo novas experiências são adquiridas baseadas em modelos pré-existentes, observados em nosso cotidiano. A lógica é: Se convivemos com santos, é bem provável que sejamos santos; Se andamos com porcos, é bem provável chafurdarmos na lama.
Nossa própria consciência só forja os valores do que é certo ou errado, a partir da educação recebida, seja ela lógica, intelectual ou simplesmente natural.
Mas  o que nos leva à seguir o mal exemplo? A resposta é a falsa sensação de liberdade e desafio ao modelo pré-estabelecido. Não à toa, que durante a adolescência, crianças educadas e de boa índole, acabem buscando em maus exemplos, emoções e desejos reprimidos. O que é proibido, tende a ser mais saboroso.
Não é raro o arrependimento surgir após se alcançar o fundo do poço. A partir daí surge a fase da negação, aquela que nos faz culpar a tudo e a todos pelas mazelas em que nos enfiamos. Todos tem culpa e tudo nos levou àquela situação. Somos coitados e jamais teríamos agido daquela forma se o pecado não nos tivesse sido apresentado. O pecado original da bíblia sugere exatamente isso ao culpar a serpente pela fraqueza de Eva.
Porém, a formação do caráter é um processo constante, que com o amadurecimento do intelecto, tende à demonstrar a falibilidade humana e a conscientização íntima do que é certo ou errado.
Neste momento, normalmente, assumimos nossos erros buscando a redenção com nossas ações e tentando impedir que os demais trilhem o mesmo caminho doloroso. Nos tornamos desta forma os pais da sociedade; Sempre exigindo a retidão no comportamento dos jovens e tratando dos mesmos excessos pelos quais passamos.
Como seria fácil e conveniente simplesmente apagar aquilo que passou. Infelizmente nossa percepção do pecadonos foi passada de geração em geração, através de credos e modelos de comportamento, sempre colocando em risco nossa aceitação perante à sociedade ou em nível metafísico, com a promessa de um inferno de chamas eternas para àqueles que se desviarem do caminho.
Poucos são os que se mantém fiéis ao que amam. Poucos são os que não desistem daquilo que acreditam. Poucos são os que não se seduzem pelos prazeres imediatos ou renegam à imagem exigida. Muito menos, os que se percebem como parte da equação que rege o convívio humano e por consequência, a mecânica do Universo.
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