O que há de errado com a retidão?

Qual é o caminho certo, que todos devemos trilhar?

Entende-se por retidão, “a conformidade com a razão, com a justiça, com o direito, com a lei, com o dever; integridade, lisura, probidade: retidão de proceder”, no entanto, a própria condição humana combate constantemente este comportamento utópico nos nossos mais íntimos anseios.

Como seres imperfeitos e suscetíveis à lei do menor esforço, estamos sempre lutando contra a tentação de nos entregarmos à conveniência para satisfazermos nosso egoísmo. É uma questão de altruísmo e coragem, combater nossos desejos mais íntimos e prazeres egocêntricos, levando em consideração todas as consequências possíveis.

Todo o sofrimento comportamental do mundo é causado pelos nossos reflexos egoístas. A total falta de percepção do mundo à nossa volta, a certeza da impunidade e a indiferença para com os demais, aproximam o comportamento humano às feras da natureza.

Durante a evolução humana, o desenvolvimento intelectual e o conceito de justiça surgiram inerentes à capacidade de reconhecermos limites individuais em nossas ações. O respeito ao próximo, seja baseado em leis ou em abstrações religiosas como a definição do pecado, fez com que a moral e a civilidade do homem, despertassem para a racionalidade do nosso entendimento como sociedade e de forma mais abrangente, como espécie.

O conjunto de leis de uma sociedade reflete a melhor resposta temporal para a convivência pacífica de todos os membros. A partir do momento em que determinado grupo começa a respeitar somente as leis que lhe são interessantes, os desvios de caráter e a subversão de valores se elevam em detrimento ao respeito do convívio social.

Retirar-se desta equação é um sinal de covardia e desrespeito à tudo que pode existir de fraterno no ser humano. O resultado é uma autocracia, onde cada um se define como à parte da sociedade e acima do bem e do mal. Não tardam a aparecer os problemas; sejam os carregados pela culpa, evidenciados através do arrependimento sincero, ou os impostos pela mesma sociedade contra a qual se atentou. A definição do crime, o combate pelo poder estabelecido e o cumprimento da pena, trazem a vergonha e a condição de excluídos dentro da sociedade. Os rótulos são sempre pejorativos, dos quais é difícil para o infrator escapar da condição de penitente, mesmo que em uma bem intencionada remição.

O convívio em sociedade nos mostra o quanto frágeis somos e o quanto precisamos ser fortes frente aos riscos que a vida desregrada nos oferece. Padrões de comportamento estabelecidos são sempre revistos de geração para geração e esta é a nossa maneira de questionar aquilo que nos desagrada em relação aos rigores da lei. Quando o bem estar de outros seres humanos depende da obediência civil, todos os desejos transgressores devem ser suprimidos, não devendo porém fugirem ao debate democrático, ainda que a contra-gosto.

Acima de tudo, os valores racionais impostos pela liberdade em si, figuram na renúncia daquilo que queremos para nós, em benefício daquilo que oferecemos ao próximo, ou seja, o respeito e a proteção aos menos favorecidos. A verdade e a justiça repousam na condição de encontrar o seu papel dentro da sociedade.

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