Réquiem para os Tiranos

Os "Poderosos" Ditadores Mortos

Depois de 42 anos no poder, Muamar Kadafi foi encontrado por rebeldes líbios escondido em uma tubulação de esgoto da sua cidade natal. Que ironia! O outrora homem mais poderoso da Líbia foi espancado, humilhado e após suplicar clemência dos seus captores, foi executado com um tiro na cabeça.

Longe de defender a atuação dos rebeldes no fim brutal, porém previsível, quero chamar atenção para o fato de que o poder e a glória andam sempre de mãos dadas com a tragédia e o desespero. Mas por que o tiranos são destituídos, na maioria das vezes, pelo seu próprio povo? Porque para garantir o poder perpétuo, todos estão sempre dispostos à utilizar meios escusos e autoritários para justificar a sua liderança.

Ditador era o título de um magistrado da Roma antiga, apontado pelo senado romano, para governar o estado tem tempos de emergência. O título garantia um enorme poder sobre os demais cidadãos, porém sob o limite de um mandado de 6 meses. Nos tempos atuais, a palavra ganhou o sentido de um governante absolutista ou autocrático que assume pela força o poder sobre o Estado.

Assim, na história recente, tivemos nomes como  Adolf Hitler, Joseph Stalin, Antonio de Oliveira Salazar, Mao Tse-Tung, Kim Il-sung, Idi Amin Dada, Pol Pot, Benito Mussolini, Slobodan Milosevic e Saddam Hussein. Todos homens realizadores de atos monstruosos contra a humanidade. Assassinos frios e personalidades infladas de ego. Kadafi foi apenas mais um.

O que impressiona é o tempo de 42 anos para que um povo tomasse a decisão de não mais se submeter à opressão e tirania e buscasse os meios para mudar a situação. O grande problema neste caso, é que tão entorpecidos pela falta de liberdade, estes mesmos rebeldes tendem a ocupar a vaga deixada pelo tirano com outra ditadura. Foi assim que o próprio Kadafi chegou ao poder.

A democracia é fruto de um estado de amadurecimento, e só se torna plenamente exercida com a isonomia entre os cidadãos, a independência entre os poderes, a secularidade do estado e fortalecimento das instituições. Cada povo merece escrever a sua própria história, às vezes com sangue e às vezes com a busca pela paz.

A paz reina em sociedades historicamente democráticas e onde o culto à personalidade é desprovido de sentido prático. O líder é um mandatário; um servidor público imbuído da administração do estado e só.

Bandeiras como religião ou ideologia são, eventualmente, erguidas como justificativa para revoluções que, ao contrário do que se espera, não representam os anseios de liberdade do povo. A supressão e manipulação da educação, convergem para que a ignorância da população se torne um sustentáculo para o governo instituído. O círculo vicioso prospera com a censura e controle da imprensa e com a sistemática perseguição de opositores, que são denominados “inimigos do povo”.

Frequentemente, governos falam em nome de todo um povo, que oprimido pela pobreza, depende de alguma forma da boa vontade e populismo estatal para conseguir os itens básicos de sobrevivência. Este foi o modelo utilizado ao longo de todo o século XX, longe do absolutismo monárquico ou da teocracia clássica, os ditadores buscaram uma identificação inicial com o povo para evidenciar as falhas dos regimes anti-democráticos.

Dizem que o poder corrompe e vicia; que aquele que o experimenta, tende a se tornar mais e mais autoritário, cheio de verdades absolutas, resignando a condição de ser humano falho, à nós totalmente inerente.

Só que os tempos estão mudando. Novas e quase imparáveis tendências e maneiras de acesso à informação surgem à cada dia. A tecnologia e o acesso à rede tornaram-se as foices e os martelos dos cidadãos do mundo, e através de um conceito puramente democrático como o anonimato da rede, os empoados detentores do monopólio do poder, sofrem injúrias e percalços para manter o que ainda lhes resta de força e autoridade.

Estamos em um tempo de renovação e descobertas, motivados principalmente pelo conhecimento e anseio de liberdade e igualdade. Longe dos megalomaníacos detentores das verdades incontestáveis e conceitos impostos de moral. Desta forma, espero viver para ver um mundo destituído de supremos líderes, prontos para cometer as mais atrozes brutalidades e entrarem para a história como reflexos de nossos mais terríveis pesadelos.

Esta entrada foi publicada em Filosofia, História, Mundo, Opinião, Política. ligação permanente.

2 respostas a Réquiem para os Tiranos

  1. Márcio diz:

    Surpreendente postagem! O olhar aguçado ante os acontecimentos atuais revelam um cidadão consciente neste mar de ignorância e corrupção em que nos encontramos.

  2. isisnatel diz:

    Me considero uma pessoa otimista em vários aspectos da vida. Mas nessa é difícil!
    A maioria dos ditadores são também populistas, como era Hitler, ele obteve apoio da população por prometer uma Alemanha melhor para os alemães (PARA OS ALEMÃES) e aí… você já sabe o resto da história. Então não é tão estranho que alguns ditadores permaneçam tanto tempo no poder.
    a ONU deveria ficar de olho sempre nesses governos, mas os países ricos só prestam atenção quando quem está no poder está atrapalhando algum plano, e aí fazem o povo se rebelar.

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