Sobre o Perdão

Perdoar deveria ser tão humano quanto errar.

Entre as diversas religiões do mundo, o perdão é tema central em qualquer discussão; Do ponto de vista de quem o promove ou daquele que o suplica. Ao analisarmos as confluências desses credos, identificamos também nossas falhas e nos emocionamos com os exemplos de misericórdia apresentados.

Mas o que é, realmente, o perdão? Devemos questionar a validade de nossos atos e confronta-los com o que nos motivou a perdoar ou de buscar o perdão. Mais do que isso, perdoar verdadeiramente, é um ato de extrema elevação moral e nos aproxima daquilo que buscamos em nossas preces e orações.

Os seres humanos são por natureza falhos em caráter e egoístas por necessidade. Mesmo os grandes nomes que nos inspiram pelos seus grandes feitos podem, em algum momento, ter mentido, traído ou enganado àqueles a quem deveriam prezar. O que nos difere, uns dos outros, é exatamente a capacidade de identificarmos nossos erros e tentar repara-los.

Desvios morais sempre existirão no convívio em sociedade; Somos diferentes e cada qual possui sua própria medida disciplinar e conceito moral, porém, o respeito às leis, às convenções sociais e ao próximo, devem balizar nossas ações, de modo que o conflito seja evitado e um entendimento fraternal alcançado. Às vezes, é muito difícil.

Não existe pior sensação no mundo, do que ter a consciência da sua falha e identificar suas conseqüências no mal causado à outra pessoa. Assim, devemos acreditar que o arrependimento verdadeiro é o maior castigo que podemos experimentar em vida; Nos humilha e envergonha, de modo que enquanto o perdão sincero não for alcançado, será como um tormento diário, que por vezes resulta em depressão, doença ou mesmo suicídio.

Um homem arrependido é, acima de tudo, um homem combalido pelas suas próprias atitudes e doente pela sua própria falta de bom senso; O perdão surge como um remédio, que o alivia e permite seguir em frente, mais sábio e sincero.

Perdoar, por outro lado, é um ato de reconhecimento da fragilidade de nossa própria condição humana e uma maneira de buscar na sua boa ação, um alívio para os próprios erros.

Devemos ser bons uns com os outros e misericordiosos com os mais fracos de caráter, mesmo que os mais atingidos sejamos nós mesmos; e precisamos, acima de tudo, buscar os motivos que levaram a tal desvio da pessoa à ser perdoada. Julgamentos rápidos e simplistas, baseados em premissas convencionais, tendem a serem falhos e perdurar, na consciência dos envolvidos, até o fim da vida.
Neste sentido, perdoar uma pessoa realmente arrependida é como trazer de volta à vida, uma pessoa morta, à muito esquecida.

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Uma resposta a Sobre o Perdão

  1. Isis diz:

    Sem esquecer que essa pessoa, muitas vezes é você mesmo, se arrepender e não se perdoar por alguma coisa, por mais que você já tenha sido perdoado pelo outro, te coloca no mesmo nível de ansiedade, stress e, como você bem disse, possivelmente depressão e até suicídio.
    Muito bom!

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