A Miséria Humana

A foto de uma menina, observada por um sinistro abutre, foi tirada pelo fotógrafo Kevin Carter em sua viagem ao Sudão, que ganhou o prêmio Pulitzer de 1994. Carter se suicidou no mesmo ano.

Em meio àquilo onde encontramos as nossas dificuldades, somos forçados a confrontar-nos contra a própria sorte, por estarmos tão longe de uma existência tão miserável.

Como podemos cobrar de nossos governantes ações para a melhoria das condições de vida de nossos irmãos, se somos incapazes de nos sensibilizar à pobreza que bate à nossa porta?

O que temos realmente feito e o quanto poderíamos fazer a mais, para impedir que situações como essa, voltassem a acontecer? Onde estávamos, quando permitimos que crianças morressem de fome ou doenças oriundas da falta de higiene básica?

Por que é tão difícil encontrarmos um sentido comum de irmandade entre os seres humanos deste planeta? Longe de qualquer pretensão messiânica e assumindo a culpa da indiferença, me deparo com nossa capacidade de esquecer e filtrar aquilo que desejamos, mesmo que atrocidades como esta possam parecer cruéis demais para existir.

Nossa compreensão sobre o mundo, nosso significado e nossos avanços como espécie, são estraçalhados por acontecimentos como este. A foto acima é como um flagelo incandescente, que nos atinge com o peso de nossa própria culpa.

Destruímos e reconstruímos átomos, enviamos máquinas para outros mundos, deciframos o código da vida, construímos obras gigantescas de engenharia e mecânica, desafiando, constantemente, os limites da realidade. Mas como, ainda hoje, não conseguimos impedir que crianças sofram as consequências da nossa própria irresponsabilidade?

De que adianta vangloriar a liberdade, se nossa necessidade de explorar os mais fracos, nos sugere oprimir sociedades menos desenvolvidas? De onde vem tamanha ganância e individualismo, onde o respeito e à fraternidade deveriam imperar?

A luta pelo poder é uma luta vazia, que consome à todos que toca e nos transforma em números em estatísticas viciadas pela própria necessidade de sugerir algo.

Com tamanha voracidade em resistir ao turbilhão, culpamos nossas abstrações pelas nossas falhas e nos permitimos solicitar perdão pelos nossos atos, sempre apontando o dedo, uns para os outros, numa mea culpa sem sentido algum. Criando um álibi na falta do próximo para validar o erro comum.

Admiramos de longe àqueles que despertaram e tentaram corrigir nosso rumo, com um certo alívio de não ter cabido à nós tamanha façanha. Somo um produto do meio e nada mais. Enquanto a fome e a miséria existirem entre nós, permaneceremos incompletos e indignos da qualidade humana.

Esta entrada foi publicada em Filosofia, Mundo, Opinião, Política. ligação permanente.

2 respostas a A Miséria Humana

  1. KK diz:

    Muito bom!

    Poderíamos espalhar umas fotos dessas por aí pra ver se as pessoas se sensibilizam mais… tem certas perguntas desse post que eu gostaria muito de saber a resposta. Se descobrir, me conta, ok?

    O seu humano é muito esquisito mesmo…

  2. A força que prevalece neste planeta é o principio de “AUTO-PROCURA DE PRAZER” (Self-seeking pleasure) . Este principio é o único responsável pela crueldade que existe em todos os lados. É o principio de “Compre meu produto com a química cancerígeno; ganho o dinheiro, fico feliz e não me importa a tua saúde.”

    O planeta é promovido com este principio; portanto, os exploradores estrangeiros vêm explorando a terra dos outros por seus próprios bem-estares; não importam quais são os efeitos degenerativos que resultam; eles não são diferentes dos vampiros; são parasitos da nossa sociedade; eles causam todas estas crueldades.

    Portanto, acredito pela única esperança que temos; nada mais do que mudar o nosso principio de “AUTO-PROCURA DE PRAZER” para o principio de “EQUILDADE SOCIAL”.

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