Especial Semana Santa – Jesus de Nazaré – Parte 3

Cruz

A crucifixação é uma das imagens mais reproduzida da história.

Ao enfurecer os sacerdotes do Templo, Jesus foi acusado de blasfêmia por se declarar “Filho de Deus” e um plano para prendê-lo, foi posto em prática. Segundo os Evangelhos, após ser seduzido por um valor de 30 moedas de prata, Judas Iscariotes, um dos 12, traiu Jesus e levou os guardas do Templo até o horto das oliveiras, fora dos portões de Jerusalém,  onde Jesus descansava com os demais apóstolos.

Sempre me pareceu estranho que Judas, um dos 12, com consequente proximidade a Jesus, depois de ter presenciado todos os milagres e provações, e ter, em algum momento, acreditado que se tratava do messias e filho de Deus, o tenha traído por uma simples oferta de 30 moedas de prata. Se houve, tamanha traição, esta pode ter sido motivada por outros agentes desconhecidos hoje em dia. Uma das teses, aponta uma falha na tradução da palavra grega correspondente a “traiu”; A mesma pode ser lida como “entregou”.

Desta forma, se era intenção de Jesus sofrer o martírio, talvez tivesse delegado à Judas a mais difícil de todas as tarefas, a de entregá-lo aos seus inimigos, tornando-se assim, uma das figuras mais odiadas da história. Segundo Mateus, Judas se suicidou por remorso. Mas tudo não passa de suposição.

Após um julgamento viciado pelo sumo sacerdote Caifás, Jesus foi condenado pelas autoridades religiosas judaicas, que procuraram alguma maneira de executá-lo, o mais rápido possível, objetivo que acabaram conseguindo ao envolver os romanos, com a premissa de que Jesus era uma ameaça à ordem e ao domínio romano.

O prefeito romano da Judéia, Pôncio Pilatos, resistiu à princípio, em condenar Jesus, por não encontrar crime algum, após uma rápida entrevista, enviando-o ao tetrarca da Galiléia, Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, para que tomasse uma decisão, porém este o devolveu à Pilatos, que ao observar indícios de sedição entre o povo, resolveu entregar Jesus ao suplício.

Jesus foi então despojado de suas vestes e preso a uma coluna baixa, visando expor o dorso para ser flagelado. No “flagelum”, um tipo de chicote romano, os soldados fixavam os pregos, pedaços de ossos, e detritos semelhantes, podendo a tortura do açoitamento ser tão forte que às vezes se tornava fatal.

A Crucificação era uma maneira tipicamente romana de execução, reservada primeiramente a escravos. Crê-se que foi trazida da Pérsia, nos tempos de Alexandre o Grande, para o ocidente, sendo então copiado dos cartagineses pelos itálicos. O intuito era causar vergonha e dor na tortura, e por isso era uma forma de execução  vista com profundo horror. Em territórios ocupados, era destinada àqueles que, por algum motivo, desafiavam o poderio de Roma. Em diversas outras ocasiões, foi utilizada contra prisioneiros capturados em revoltas e rebeliões.

Ao ser crucificado, um ser humano morre por asfixia, já que o peso das pernas sobrecarrega a musculatura do diafragma que, cansado, torna-se incapaz de manter a respiração. Os pulsos, e não as mãos, eram perfurados por cravos assim como os pés.

A cruz era formada, na maioria das vezes, por troncos de árvores mortas ou estacas verticais, que eram transverssadas pelo “patibulum”, um pedaço reto de madeira que era fixado, ainda durante o flagelo, no condenado e posteriormente, preso ao tronco.

Existem relatos de condenados que resistiram por dias na cruz, e outros que sobreviveram ao processo, sendo retirados de lá, mas no caso de Jesus, levando-se em consideração o tempo descrito nos Evangelhos, tudo leva a crer que ele já se encontrava debilitado demais. Este fato pode ser constatado com o relato de que os executores quebraram os joelhos dos outros dois condenados, de forma a agilizar a morte. Sem o sustento das pernas, a asfixia seria ainda mais rápida.

No topo de cruz, geralmente era afixado uma placa com escritos em latim, grego e hebraico, que descreviam o motivo da execução. Muitas representações mostram a palavra “INRI” nesta placa, que em latim são as iniciais de “Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum”, ou “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”. Mas os Evangelhos divergem sobre o que estava escrito. Mateus diz: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”, Marcos, “O Rei dos Judeus”, Lucas, “Este é o Rei dos Judeus” e João, “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”.

Uma curiosa frase proferida por Jesus na cruz, segundo Mateus foi: “eli eli lama sabactani” ou “Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparaste?”; Este é um texto do livro de Salmos, versículo 22:1, ou seja, Jesus não estava sendo literal, e sim proferindo, mais uma vez as escrituras.

Então, depois de exclamar: “Está consumado”, Jesus faleceu. Seu corpo, que normalmente seria deixado para ser devorado pelas feras ou atirado em algum depósito de lixo, foi reclamado à Pilatos por José de Arimatéia, sacerdote simpatizante de Jesus. O corpo foi depositado em um túmulo escavado na rocha, depois de ter sido envolvido em linho.

Neste momento, os apóstolos encontravam-se apavorados e escondidos, permaneceram assim, até os primeiros relatos da ressurreição.

Jesus morreu na sexta-feira e depois de esperar o período do sabbá, algumas mulheres foram até o túmulo, preparar o corpo, o que era um costume judaico que visava deixa o corpo limpo e perfumado para o dia da ressurreição.  Neste momento, os Evangelhos voltam a se contradizer:

Segundo Mateus, Maria Madalena e outra Maria, foram até o sepulcro e foram surpreendidas por um anjo que desceu do céu, causando grande terremoto, que retirou a pedra da entrada da sepultura. O aspecto do anjo era “como um relâmpago e suas vestes brancas como a neve” e este lhes informou que Jesus havia ressuscitado. Ao saírem dali, o próprio Jesus lhes teria aparecido e orientado-lhes a divulgar aos demais seguidores.

Marcos, diz que Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé, foram até o sepulcro, e ao verem que a pedra estava removida, adentraram e encontraram um jovem de roupas brancas, sentado à direita de onde estaria o corpo, dizendo que Jesus estava vivo, e teria aparecido somente à Maria Madalena, orientando a divulgação.

Lucas, descreve a ressurreição dizendo que Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, foram ao sepulcro, mas relata que elas encontraram 2, e não apenas 1 homem, com vestes resplandecentes, dizendo-lhes que Jesus havia ressuscitado.

Em João, apenas Maria Madalena foi ao sepulcro, e ao ver a pedra removida, relatou isso aos discípulos. Pedro e João teriam ido até lá constatar o fato, e não encontrando o corpo, voltaram aonde estavam escondidos. Maria Madalena, teria continuado lá e encontrado os 2 anjos, vestidos de branco, e Jesus, ressurrecto.

A ressurreição, é o ponto central da teologia cristã e as divergências apontadas, apesar de relataram basicamente que a mesma aconteceu, demonstram que são histórias contadas de maneira diferente, por pessoas diferentes, talvez em épocas e locais também diferentes, dentre as quais foi construída toda a fé do Cristianismo.

Cada Evangelho relata outras manifestações de Jesus entre os discípulos, onde ele interage conversando, tocando e comendo com os mesmos. O fato é que após esses acontecimentos, os discípulos, que até então, ainda estavam horrorizados com o que acontecera a Jesus, começaram a aparecer novamente e pregar de maneira confiante, imbuídos de poderes miraculosos e tão obcecados pelo ministério, que dentre os 11, apenas 1, João, não foi perseguido e morto em martírio.

O fato é que estes discípulos, mais tarde identificados como apóstolos, desenvolveram e expandiram o Cristianismo para além da comunidade judaica e alcançaram o inimaginável: Cerca de 300 anos depois, o próprio Império Romano se converteu à religião daqueles homens pobres e ignorantes, comandados por um simples camponês da Galiléia. Esta ascensão e os fatos históricos que respaldam estes acontecimentos, serão debatidos no próximo post.

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